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Defesa do Horcades – Impeachment (2009) – Minuta de carta aos associados

Prezado(a) Associado(a),

 

O Fluminense completou este ano 107 anos de existência. Ao longo deste período ele se notabilizou por suas ações em favor do desporto nacional e dos seus associados. Do conjunto de associados é que temos tirado a substância de nossas ações nas áreas social, cultural e desportiva. Nosso corpo de associados é nossa maior força, assim como nossa torcida o nosso maior patrimônio.

Procuramos ser o mais transparente possível na divulgação de nossas contas e ações, pois o Clube não pertence a nenhuma diretoria por ventura com mandato, mas sim ao conjunto dos seus associados.

No dia 10 de setembro um grupo de Conselheiros solicitou que fosse dado início a um procedimento inédito e absolutamente injustificado na história do FLUMINENSE, qual seja: pedido de impedimento do seu Presidente, devidamente eleito pelos associados em Assembléia Geral. O documento apresentado ao Presidente do Conselho Deliberativo, que se encontra desacompanhado de qualquer documento comprobatório das acusações, se revela um instrumento político e, como vamos demonstrar a seguir, absolutamente carente de fundamento.

As informações completas sobre o que vamos relatar podem ser consultadas através do nosso site www.fluminense.com.br.

 

Saudações Tricolores,

 

Roberto Horcades

Presidente

e-mail: presidência@fluminense.com

fax: (21)

tel: (21)

 

1. FINANCEIRO

 

Consta do requerimento:

 

O prejuízo causado pelo presidente Roberto Horcades Figueira ao patrimônio do Fluminense, decorrente da desastrosa gestão financeira da sua administração, elevou a dívida do Clube, de R$ 92.614.861,40 (noventa e dois milhões seiscentos e quatorze mil oitocentos e sessenta e um reais e quarenta centavos), declarados no balanço financeiro de 2004, último ano da gestão do ex-presidente David Fischel, para R$ 320.720.596,00 (trezentos e vinte milhões setecentos e vinte mil quinhentos e noventa e seis reais), declarados no balanço financeiro de 2008. A dívida foi majorada em incríveis R$ 228.105.734,60 (duzentos e vinte e oito milhões cento e cinco mil setecentos e trinta e quatro reais e sessenta centavos), em apenas 04 (quatro) anos da gestão do presidente Roberto Horcades Figueira; um acréscimo de mais de 340% (trezentos e quarenta por cento).

 

Prejuízo causado pelo Presidente Horcades?

 

Em primeiro lugar a dívida do Clube em 2004 era na realidade e concretamente, de R$ 194.848.000,00 (cento e noventa e quatro milhões oitocentos e quarenta e oito mil reais).

 

Se corrigirmos a nossa dívida com uma taxa de 20% ao ano, o cheque especial é de 800% ao ano, pagaríamos de juros acumulados R$ 276.528.281,60, veja tabela abaixo:

 

Ano Valor da Dívida (R$) – início do ano Juros – 20% (R$) Total (R$) – Final do ano
2005 194.848.000,00 38.969.600,00 233.817.600,00
2006 233.817.600,00 46.763.520,00 280.581.120,00
2007 280.581.120,00 112.232.448,00 392.813.568,00
2008 392.813.568,00 78.562.713,60 471.376.281,60
T O T A L
276.528.281,60

 

Ou seja, estou sendo acusado de fazer crescer a dívida em R$ 228.105.734,60 ( R$    320.720.596,00 –  R$ 92.614.861,40), quando na verdade o crescimento foi de R$  125.872.596,00 ( R$320.720.596,00 – R$ 194.848.000,00 ). Considerando que somente de juros o crescimento seria de R$ 276.528.281,60, na verdade reduzi a dívida do Clube em R$ 150.655.685,60 (  R$ 276.528.281,60  –  R$  125.872.596,00 ).

 

Que o prejuízo decorreu da sua “desastrosa gestão financeira”?

 

Além de todas as “suas contas” terem sido aprovadas pelo Conselho Deliberativo, com parecer favorável do Conselho Fiscal, vamos a realidade:

Resultado Operacional

 

Para que as informações apresentadas tenham consistência, confiabilidade, validade e relevância, todos os dados foram retirados dos Relatórios de Diretoria que se encontram arquivados na Biblioteca do Clube e estão à disposição, para consulta. Cabe ressaltar que todas as contas do período em que estou na Presidência foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo, com parecer favorável do Conselho Fiscal e auditadas por auditoria independente.

 

Resultado Operacional – é o resultado do Clube oriundo de suas atividades operacionais, isto é, são consideradas todas as receitas e despesas referentes às nossas atividades, tais como: Receita com mensalidades, publicidade, venda de jogadores, cotas de televisão, salários, taxas, impostos, fornecedores, etc.

 

Nosso resultado operacional acumulado nos exercícios de 2005 a 2008 é positivo, ou seja, se financeiramente o Clube tivesse iniciado suas atividades em 01/01/2005, com as receitas contratadas, pagaríamos todas as despesas realizadas (salários, fornecedores, taxas e impostos, etc) e teríamos, no dia 01/01/2009, em caixa, aproximadamente R$ 34.800.000,00 (trinta e quatro milhões e oitocentos mil reais), conforme demonstraremos mais adiante. Aproveitamos para informar que no ano de 2009 (janeiro a agosto) já acumulamos um resultado operacional positivo de aproximadamente R$ 4.900.000,00 (quatro milhões e novecentos mil reais).

Nos últimos 20 anos anteriores a nossa gestão, em apenas 4 (quatro) anos tivemos resultados operacionais positivos, foram eles: 1989, 1997, 2003 e 2004.

Ano de 2005 – Resultado Positivo
RECEITAS (R$) DESPESAS (R$)
Sociais 5.867.072,89 Pessoal (salários, impostos e fgts) 18.855.049,48
Desporto Amador 1.326.724,97 Material 768.022,09
Futebol – jogos 6.901.568,33 Gerais 6.591.550,55
Cláusula penal (venda jogador) 6.824.765,76 Com atletas – futebol 2.947.603,94
Imagens (TV/Patrocínio/Publicidade) 18.871.177,55 Jogos – futebol 2.228.231,77
Outras – futebol 496.812,17
RECEITA BRUTA 40.288.121,67
Dedução da receita (cofins/iss/inss) 1.195.770,50
RECEITA LÍQUIDA 39.092.351,17 DESPESA LÍQUIDA 31.390.457,83
RESULTADO OPERACIONAL 7.701.893,34

Ano de 2006 – Resultado Positivo
RECEITAS (R$) DESPESAS (R$)
Sociais 6.141.578,91 Pessoal (salários, impostos e fgts) 21.571.230,21
Desporto Amador 1.499.185,63 Material 980.923,85
Futebol – jogos 2.310.252,51 Gerais 9.796.105,81
Cláusula penal (venda jogador) 16.930.604,80 Com atletas – futebol 2.541.303,15
Imagens (TV/Patrocínio/Publicidade) 22.958.381,53 Jogos – futebol 1.584.569,17
Outras – futebol 811.126,00
RECEITA BRUTA 50.651.129,38
Dedução da receita (cofins/iss/inss) 1.381.082,99
RECEITA LÍQUIDA 49.270.046,39 DESPESA LÍQUIDA 36.474.132,19
RESULTADO OPERACIONAL 12.795.914,20
 LUCRO ACUMULADO  20.497.807,54

 

Ano de 2007 – Resultado Negativo
RECEITAS (R$) DESPESAS (R$)
Sociais 6.198.017,00 Pessoal (salários, impostos e fgts) 24.360.324,00
Desporto Amador 1.140.020,00 Material / Geral 12.975.326,00
Futebol – jogos 2.649.891,00 Com atletas – futebol 1.742.678,00
Cláusula penal (venda jogador) 1.346.004,00 Jogos – futebol 1.575.266,00
Imagens (TV/Patrocínio/Publicidade) 26.326.198,00
Outras – futebol 1.675.341,00
RECEITA BRUTA 39.335.471,00
Dedução da receita (cofins/iss/inss) 1.615.432,00
RECEITA LÍQUIDA 37.720.039,00 DESPESA LÍQUIDA 40.653.594,00
RESULTADO OPERACIONAL – 2.933.555,00
 LUCRO ACUMULADO  17.564.252,54

 

Ano de 2008 – Resultado Positivo
RECEITAS (R$) DESPESAS (R$)
Sociais 6.598.000,00 Pessoal (salários, impostos e fgts) 24.856.000,00
Desporto Amador 1.300.000,00 Material/Geral 16.365.000,00
Futebol – jogos 8.006.000,00 Com atletas – futebol 1.926.000,00
Cláusula penal (venda jogador) 17.129.000,00 Jogos – futebol 3.307.000,00
Imagens (TV/Patrocínio/Publicidade) 30.565.000,00
Outras – futebol 2.858.000,00
RECEITA BRUTA  66.456.000,00
Dedução da receita (cofins/iss/inss) 2.672.000,00
RECEITA LÍQUIDA  63.784.000,00 DESPESA LÍQUIDA 46.454.000,00
RESULTADO OPERACIONAL  17.330.000,00
  LUCRO ACUMULADO  34.894.252,54

 

 

Na coluna “DESPESAS” são consideradas todas as despesas operacionais do exercício, inclusive, as não pagas.

 

POR QUE VÁRIAS DESPESAS NÃO FORAM PAGAS?

 

Nos exercícios de 2005 a 2008 fomos obrigados a pagar, por medida judicial, ou para que continuássemos com o funcionamento do Clube a importância total de R$ 61.981.220,00 (sessenta e um milhões, novecentos e oitenta e um mil e duzentos e vinte reais) de dívidas anteriores a nossa gestão.

Apesar do nosso resultado operacional acumulado ser positivo em R$  34.894.252,54 fomos obrigados a deixar de pagar o equivalente a R$ 27.086.967,46 das despesas efetuadas nos anos de 2005 a 2008.

Para ilustrar o montante pago de débitos anteriores da nossa gestão, nos exercícios de 1999 a 2004, fomos obrigados a pagar a importâncias de R$ 18.396.959,37 referente a débitos anteriores ao ano de 1999, ou seja, em quatro anos fomos obrigados a pagar mais do triplo do que foi pago em seis anos, pois diversas ações judiciais já estavam em execução.

A descrição dos pagamentos efetuados no período de 2005 a 2008 está nos Relatórios de Prestação de Contas da Diretoria, devidamente aprovados pelo Conselho Deliberativo, que se encontram na Biblioteca do Clube, ou podem ser consultados através da internet no site www.fluminense.com.br.

 

 

Resultado do Exercício

 

A dívida de R$ 320.720.596,00 (trezentos e vinte milhões setecentos e vinte mil quinhentos e noventa e seis reais) é acrescida ano após ano do resultado do exercício, que nos últimos 30 anos é negativo.

Ao entramos na Timemania ficamos surpresos de saber que o Fluminense deixou de depositar o FGTS, de alguns empregados, desde 1969.

 

Na apuração do resultado do exercício são consideradas despesas não oriundas da operação do Clube, tais como:

  • Processos Judiciais – De fatos anteriores ao início da atual gestão.
  • Custo das Dívidas Fiscais – Correção e multa das dívidas contraídas com impostos e taxas.

 

Qual foi o prejuízo financeiro gerado na minha gestão? Nenhum!!!!

 

Dentro do processo de transparência atualizei todos os nossos passivos trabalhistas, cíveis e fiscais. Hoje nós sabemos quanto realmente o Fluminense deve e a quem. Só podem me acusar de na área financeira ter gerado um resultado operacional, acumulado, positivo de “somente” R$ R$ 34.800.000,00 (trinta e quatro milhões e oitocentos mil reais).

 

 

2. UNIMED

 

Consta do requerimento:

 

É fato público e notório, que o departamento de Futebol do Fluminense é dirigido pelo patrocinador e pelo Conselho Diretor, nesta ordem.”….”Com essa diretriz, o futebol do Fluminense passou a privilegiar os jogadores recém contratados, em detrimento dos jogadores que eram formados no clube…. Além disso, pagou muito na compra, e recebeu pouco na venda.”.

 

Inicialmente, cumpre esclarecer que, quando o fluminense contrata determinado jogador, assume exclusivamente o pagamento do respectivo salário, competindo ao patrocinador, em alguns casos, a contratação do direito de imagem do atleta.

 

O patrocinador não paga salário de nenhum atleta vinculado ao clube.

 

Todos os contratos celebrados entre o clube e os atletas são devidamente registrados na respectiva Federação e na CBF criando-se, assim, o chamado direito federativo.

 

Por direito federativo deve se entender o direito que o FLUMINENSE exerce sobre o atleta em caráter de exclusividade durante a vigência do contrato, o que impossibilita qualquer tipo de transferência sem a sua anuência, ressalvada a cláusula penal onde o eventual outro Clube interessado deverá depositar o valor correspondente na referida cláusula na Federação na qual se encontra filiado, ou seja, o domínio sobre o atleta legalmente é do Clube.

 

Mas, o que ocorre no Fluminense?

 

Como o patrocinador também investe na aquisição do atleta, em caso de venda do jogador, ele é cientificado da existência de proposta, como, da mesma forma, se verifica sempre que um atleta possa vir a interessar ao Clube. Isto não significa ingerência, mas sim parceria em seu exato sentido.

 

O Clube, definitivamente, não é dirigido pelo patrocinador.   Na qualidade de parceiro, de longo tempo e com sólido investimento no Departamento de Futebol, é claro que a UNIMED tem espaço em manifestar sua opinião a respeito da contratação ou não de determinado jogador ou sua venda.

 

A última palavra SEMPRE é do FLUMINENSE, na medida em que é o Clube quem, de fato e de direito, detém os direitos federativos. Por exemplo, a UNIMED pode pretender adquirir um determinado jogador de expressão, mas, se não for firmado contrato com o FLUMINENSE, o referido atleta não poderá jogar.

 

Por outro lado, chega as raias do absurdo a alegação de que o FLUMINENSE, na minha gestão, passou a privilegiar jogadores recém contratados em detrimento daqueles formados nas divisões de base.

 

O mais difícil no futebol é o Clube fazer a transição do jovem jogador da divisão de base para o time profissional, especialmente quando o FLUMINENSE passa por um período difícil no campeonato e em suas finanças.  Quando o Clube contrata um jogador de expressão o faz com a única intenção de aproveitar sua experiência e qualificação como instrumento de motivação não só ao jovem jogador, como também e principalmente na obtenção de resultados.

 

Aliás, aqui cabe uma indagação: qual o Clube, nos últimos cinco ou seis anos, que foi campeão com um time de jovens jogadores formados em sua divisão de base? Nenhum!

 

No entanto, a título meramente exemplificativo, podemos citar, algumas transações de venda de jogadores com custo de aquisição zero para o FLUMINENSE e que proporcionaram lucro ao Clube: Fabiano Eller  (U$ 1.000.000,00), Cícero (R$ 200.000,00), Gabriel (€ 1.200.000,00) e Thiago Neves (R$ 3.500.000,00).

 

Basta verificar nos quadros acima, receita e despesa operacional, o que foi recebido e gasto com “aquisição” de atletas. Recebemos aproximadamente R$ 42.000.000,00 (quarenta e dois milhões) e gastamos aproximadamente R$ 9.200.000,00 (nove milhões e duzentos mil reais), ou seja, tivemos um lucro de aproximadamente R$ 32.800.000,00 (trinta e dois milhões e oitocentos mil reais) com o resultado entre “compra” e “venda” de jogadores.

 

Como, então, se alegar que o FLUMINENSE comprou por muito e vendeu por pouco?

 

 

3. CONTA DO DEPARTAMENTO SOCIAL

 

Consta do requerimento:

 

É fato público e notório que, durante um certo período de tempo, as receitas e despesas do departamento social do Fluminense, foram movimentadas em uma conta corrente que não se encontrava em nome do Fluminense.”.

 

Nada se diz e nada se alega a esse respeito no requerimento de impedimento, somente constata o fato. E mais: a mencionada conta, administrada pelo Diretor do Departamento Social, existiu até meados de 2007, ou seja, na minha gestão que terminou em 2007.

 

O que a Lei e o Estatuto Social exigem é a necessária e obrigatória prestação de contas de tudo que foi recebido e gasto em prol do FLUMINENSE e dos seus associados.  E isto, inegavelmente, foi feito pelo Diretor do Departamento Social, até mesmo porque nenhuma dúvida da lisura, transparência e honestidade dos seus atos foi posta em dúvida pelos Conselheiros que subscrevem o requerimento. Cabe informar que as contas no exercício de 2007 foram devidamente aprovadas pelo Conselho Deliberativo e referendadas pelo Conselho Fiscal.

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