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Fluminense – O que há por trás da saída do Muricy

TEM MUITA SUJEIRA QUE AINDA NÃO VEIO À TONA SOBRE A SAÍDA DO MURICY DO FLUMINENSE

 

Amigos, nos últimos dias tenho ficado mais reservado, refletindo sobre tudo o que está acontecendo no Fluminense e, principalmente, tenho tentado apurar fatos e entender seus desdobramentos para formar uma opinião sólida e embasada sobre o assunto mais comentado da semana (a saída mal explicada do Muricy do Fluminense).

 

Pois bem, após ler o que escreveram os principais cronistas esportivos, após ver diversas matérias, entrevistas e pronunciamentos oficiais de alguns dos envolvidos, comecei a formular opinião própria aliando tudo isso ao que conheço do próprio Fluminense e um pouco dos seus bastidores.

 

Por certo faltou um contato direto com algumas pessoas que hoje estão no poder do clube, mas certamente não foi por falta de tentativa. Liguei, escrevi, mandei sinal de fumaça, mas anda MUITO difícil falar com certas pessoas nos últimos meses … Coisas que acontecem. “Normal”. Paciência.

 

Superado esse intróito, tenho a opinar que o “Caso Muricy” revela que, infelizmente, mesmo as pessoas tidas como éticas e super profissionais, pisam na bola e dão seus chiliques mimados quando são contrariadas ou quando têm algum interesse reflexo por trás.

 

Explico. O Muricy SEMPRE soube dos problemas estruturais enfrentados atualmente pelo Fluminense. Sabia disso, inclusive, antes de vir para cá e podem ter certeza que antes de fechar com o clube deu uma passadinha lá, coletou informação com profissionais da área, mandou representantes, amigos etc lá para ver.

Mas ele veio, e veio seduzido pelo DINHEIRO oferecido pelo Fluminense através de sua patrocinadora.

 

 

E aí começa a surgir o problema. Como todos sabemos, o Fluminense vinha sendo “gerido” até o fim de 2010 de modo totalmente amador e subjugado às ordens e CAPRICHOS do patrocinador e de seu “reizinho” louco.

Tanto é assim que, em suas entrevistas dos últimos dias, Muricy deixou claro que “quando fui procurado e contratado pelo Celso Barros me prometeram duas coisas: – jogadores para ganhar título e; – estrutura”.

 

Apesar de pretensamente não gostar nem admitir interferência em seu trabalho de campo, Muricy sempre deixou claro que seu patrão era o Celso Barros. Muricy deu diversas “patadas” no então presidente Horcades (tudo bem que algumas até filosoficamente merecidas, mas de mau tom em termos de hierarquia e respeito) e sempre beijava a mão do “mecenas” que pagava seu portentoso salário.

 

 

De todo modo, o trabalho de futebol propriamente dito foi feito e, mesmo com muitos problemas, erros e dificuldades, fomos justamente coroados com o título de Campeão Brasileiro de 2010.

 

Ali mais ou menos na mesma época tivemos a eleição no clube e a igualmente justa, merecida e alentadora vitória da chapa cujo presidente foi Peter Siemsen. E isso veio a renovar nossas esperanças de um futuro melhor, com conquistas mais corriqueiras e uma manutenção de elevado padrão competitivo.

 

Logo em suas primeiras entrevistas após o título (no Bem Amigos logo no dia seguinte do título e por aí foi) o Muricy falou coisas que denotavam certa arrogância, mas em um primeiro momento não chegaram a assustar.

 

Agora, meses depois e juntando tudo, as coisas parecem fazer mais sentido …

 

Muricy falou coisas do tipo: – “não conheço nem fui procurado pelo novo presidente. Só sei que é um garoto novo que parece que tem boas ideias e vem com fôlego. Vamos ver quando ele me procurar para a gente organizar as coisas etc”.

Ou seja, isso mostra que o Muricy se acha “de outro planeta”, acima do bem e do mal e que ele é a estrela mor (apesar de, muito cá entre nós, dar MUITOS vacilos em escalação, substituição etc como todo e qualquer técnico). Falou de modo pejorativo “garoto novo” e disse que aguardaria ser procurado, pois ainda não o fora.

 

Ora bolas, Muricy é FUNCIONÁRIO do clube. Ele queria o quê ? Que Peter Siemsen com apenas 5 dias de eleito e na semana do jogo do título o tivesse procurado ???

 

Isso não teria cabimento (como tampouco teria cabimento ter procurado Muricy na época de campanha). O momento era de fato e de Direito do ainda presidente à época, ou seja, quer queira ou não o momento era do Horcades. E se o Peter aparecesse por ali seria acusado de oportunista e “caroneiro” do título.

 

Peter tem diversos defeitos na minha visão (todo ser humano tem), mas era indubitavelmente o melhor nome para o cargo no momento dentre as opções que se apresentaram. E foi ele quem foi eleito (com o nosso apoio e o da maioria esmagadora do clube) e, até por força do próprio Estatuto do clube, é ele quem MANDA.

 

E o Peter começou a exercer seu cargo, ou seja, começou a mandar para tentar melhorar o clube.

 

Confesso que tenho restrição a algumas medidas tomadas neste início de mandato, mas isso faz parte, pois ninguém pensa exatamente como nós. E o presidente é ele, não sou eu, então ele obviamente vai dar a palavra final para decidir e fazer as coisas como sua consciência manda. E tenho certeza de seus bons propósitos e de que é uma pessoa capaz.

 

E temos que ter em mente que Peter está no poder há cerca de 80 dias, mas o caos do Fluminense (herança de quase 3 décadas de enormes erros) exigirá pelo menos 800 dias para começar a mostrar evolução significativa e para termos orgulho de que a casa estará arrumada.

 

E as coisas têm que seguir um cronograma, uma linha de prioridades etc.

 

Uma das coisas que o Peter tentou fazer de modo mais imediato foi melhorar a relação com a Unimed, um dos pontos que era considerado primordial pela sua base aliada.

 

E quando eu digo melhorar, quero de fato dizer que é preciso colocar a Unimed em seu lugar como “apenas” patrocinador do clube porque é assim que tem que ser. O Fluminense não pode de jeito algum perder a sua SOBERANIA. Quem manda no Fluminense tem que ser o próprio Fluminense através de seu poder constituído.

 

E não me digam que o Fluminense tem que aceitar a excessiva interferência da Unimed, pois se ela sair do clube o Fluminense acaba etc e tal.

 

Não, não somos nem podemos ser reféns da Unimed. O que algumas pessoas parecem ter dificuldade em entender é que a Unimed não nos faz caridade. Aquilo é um negócio e, diga-se de passagem, MUITO lucrativo para a Unimed.

 

Se o clube conseguiria outro patrocinador com tanto dinheiro não vem ao caso. O medo disso acontecer não pode nos engessar nem aprisionar para sempre. A um porque uma relação de tamanha dependência já provou antes que “cobra uma dívida alta no futuro” (caso da Parmalat quando saiu do Palmeiras e inúmeros outros) e a dois porque milhares (na verdade até mais de um milhão de reais) de reais da Unimed são jogados no lixo com Deco, Belleti etc.

 

Então o Peter começou a ter suas saias justas e a primeira delas com a Unimed foi o caso Alcides Antunes.

 

Celso Barros queria porque queria (meio coisa de criança mimada mesmo ou fruto de sua já notória “ação entre amigos”) a permanência de Alcides Antunes e isso incomodou a base aliada do Peter, principalmente a Flusócio.

 

Peter teve certa habilidade, costurou tudo e conseguiu que a Flusócio engolisse o Alcides, tendo sido o nome do mesmo aprovado em sessão do Conselho Deliberativo (onde estranha e absurdamente o nosso companheiro Alexey teve uma votação contrária ao seu nome muito expressiva e até mesmo maior que a rejeição enfrentada pelo nome do próprio Alcides, sendo que minutos antes se imaginava a situação do Alcides tão crítica ao ponto de seu nome correr o risco de não ser aprovado).

 

E logo depois veio o caso “Tote”, onde, pelo que se sabe, o Celso Barros quis novamente empurrar um nome goela abaixo e o Peter desta vez teria bancado com mais força e recusado o pedido (segundo relatos internos dando até soco na mesa, dizendo que o Celso Barros podia tirar o patrocínio etc, mas que ele Peter não aceitaria o nome do Tote).

 

Enfim, para tentar dar fecho ao assunto, penso que talvez essas coisas tenham gerado um desgaste grande junto ao Celso Barros (acostumado na era Horcades a mandar e desmandar em tudo e a aparecer demais – tenho certeza que ninguém sabe o nome do presidente da patrocinadora do Cruzeiro etc, mas todos sabem quem é Celso Barros pelo que ele aparece no clube – e muito além da conta), pois o Peter acertadamente quis normalizar essa relação e evitar excessiva intromissão do Celso Barros.

 

E não me espantaria se for verdade o tipo de boato que a imprensa divulgou onde o próprio Celso Barros teria começado um mês atrás a onda de fofocas dando conta de eventual demissão do Muricy.

 

Não duvido que o Celso Barros esteja de “birra” ou revanchismo pessoal para provar que manda mais. Talvez ele esteja querendo boicotar o Fluminense pedindo ou articulando ou favorecendo as condições para que o Muricy pedisse para sair.

 

Pode ser que o Celso Barros queira implodir os resultados de campo do clube com essa crise para tentar depois ser de fato e de direito o todo poderoso e soberano do futebol fazendo a desmoralização do Peter e de sua gestão.

 

Fato é que tem muita coisa a ser esclarecida e trabalhada. E a primeira delas é evitar ou começar a rebater as crtíticas do Muricy que não param, pois isso fez com que o Fluminense virasse motivo de chacota nacional e, sinceramente, apesar de nossos problemas, custo a crer que sejamos algo tão abaixo de outros clubes em termos de estrutura mínima.

 

E depois, tem que ver quem foi a pessoa responsável por autorizar o Alcides Antunes (que não manda mais nada no futebol) a interromper o treino de hoje de manhã na Praia do Leme para se despedir de jogadores e para dar “entrevista coletiva” falando que está tudo errado, que o grupo político que está no poder tem ódio no coração etc.

 

Está na hora de o Peter deixar sua fleuma dinamarquesa de lado e começar a falar mais grosso (aliás, essa falta de pulso forte sempre foi um dos seus maiores defeitos).

Vamos tentar ajudar e cobrar o tão falado profissionalismo. E se for o caso, pela salvação da honra e da imagem do Fluminense, que o Peter deixe a educação de lado e comece a soltar também a bosta no ventilador contra Muricy, Celso Barros etc. Uma vez que agora o leite já está derramado e ele Peter já baixou demais a cabeça, não dá mais para ignorar, então temos que rebater para que o mundo veja que também não é tão ruim assim …

Vamos lá. Avante Fluminense contra tudo e contra todos !!!

Abraços,

Luis Monteagudo.

 

Luis Monteagudo Gonzalez Filho, advogado formado pela UERJ, sócio proprietário do clube há mais de uma década e participante ativo da política do Fluminense desde 2004, sempre como membro da Tricolor de Coração, participando da coordenação das campanhas de 2004 e 2007 quando a TC teve candidato próprio à presidência do clube.

Atual presidente da Associação Nacional Tricolor de Coração.

Relembre a festa do Tri de 2010 quando Muricy comandava o Fluminense.

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