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Formação de Atletas de Base: um modelo?

INTRODUÇÃO

A enorme disparidade de força econômica entre as grandes ligas dos centros europeus e o centro gerador e formador de talentos, América Latina em destaque e África, em menor quantidade, gerou uma corrente de migração constante, crescente e unidirecional. Tal fato tende a se agravar, pois, a cada temporada, a idade da migração vem diminuindo, já tendo sido registrados acordos de transferência de jogadores quando contavam com menos de 15 anos, caso dos dois irmãos gêmeos em 2007 – lateral esquerdo e direito da Seleção Brasileira sub 17 –, transferidos do Fluminense Football Club para o Manchester United.

 

Esta realidade impõe que o complexo de formação de atletas profissionais de futebol seja absolutamente vital para a sobrevivência de clubes de massa da América Latina nesta entrada do século XXI. O sucesso de uma empresa ou instituição é diretamente proporcional à sua capacidade de adaptação às realidades do cenário a que pertence.

 

Para que um complexo de formação desenvolva atletas com potencial de carreira bem sucedida nos centros europeus e asiáticos é fundamental planejar ações concretas de curto, médio e longo prazos que desenvolvam:

 

  1. personalidade e integridade psicológica, pois o fator adaptação a padrões culturais e meios sociais diferenciados (Europa versus América Latina) tem sido um constante e grave desafio, visto o fluxo observado nos últimos dois anos – 728 atletas migraram e 594 regressaram após os primeiros 6 a 8 meses, segundo os registros da CBF – pois apesar de reconhecido talento enfrentaram sérios problemas de adaptação, interrompendo sua permanência em clubes europeus;
  2. desenvolvimento cultural básico complementar, a exemplo de noções básicas de um segundo idioma ( inglês, espanhol ou francês), noções de diferentes costumes alimentares e absorção de novas tecnologias (usuário web), pelas razões indicadas ao item a acima, ou seja, facilitadores de adaptação cultural;
  3. desenvolvimento físico – muscular equilibrado a seu biótipo particular, considerando que a origem sócio econômica da maioria dos jovens (classe mais pobre) gera problemas futuros na performance de atletas de alto rendimento;
  4. apoio ao alcance de maturidade psicológica mais precoce e desenvolvimento técnico do talento e habilidade naturais, ajustando o futuro atleta principalmente ao primeiro fator, pois considerável parcela de jovens e promissores talentos não conseguem administrar com eficiência o sucesso repentino aos 18 / 19 anos de idade, freqüentemente frustrando as expectativas de uma carreira futura bem sucedida.

 

Estas preocupações demandam ações integradas, mas diferenciadas, nas faixas etárias de 10 a 15 anos de idade (infantis e juvenis), de 15 a 18 anos (juvenis e pré profissionais) e de 18 a 20 anos ( profissionais iniciantes).

Cada fase apresenta problemática e conjunto de soluções próprios, entretanto sempre contemplando o desenvolvimento da fase seguinte, visando obter maiores índices de sucesso e aproveitamento.

O objetivo maior para alcançar uma gestão eficiente, a médio e longo prazos, deve ser prover integração total entre as diferentes fases do desenvolvimento de um atleta de alto rendimento, ou seja:

 

  1. agrupamento do maior número, possível de ser administrado com eficiência pelos CDE’s, de indivíduos na faixa etária de 10 a 15 anos de idade, possibilitando a identificação e seleção daqueles de maior potencial de rendimento. Considerando que a proporção de migração para a fase seguinte é de 1 para 4, teremos a média de 250 indivíduos para cada universo de 1000 iniciais. Há que ressaltar o benefício social paralelo para a comunidade sede do CDE, o que, via de conseqüência, trará forte efeito positivo para a imagem da instituição organizadora – em nosso caso o Fluminense e seus parceiros investidores – pois tal ação acarretará crescente impacto na mídia especializada e no meio esportivo;
  2. o grupo de 250 indivíduos que migrarem, por seleção, da primeira fase será alvo de ações mais direcionadas quanto ao descrito aos itens a,b e c acima e serão objeto de análise profissional multidisciplinar especializada quanto ao potencial descrito ao item d. Nesta segunda migração é previsto atingir uma proporção de 1 para cada 3 indivíduos;
  3. entrando no último período, dos 18 aos 20 anos de idade, a ênfase maior estará no aprimoramento técnico da prática do esporte em si, na identificação e desenvolvimento do talento e da habilidade natural e da consolidação dos esforços de maturidade psicológica. Observe-se ser esta fase primordial para uma carreira futura consistente e para a minimização da problemática decorrente de adaptação a novos ambientes e culturas.

Por todas as três fases está permeando, como pilastra fundamental, o permanente acompanhamento escolar tradicional, evitando a incapacidade do indivíduo como cidadão caso não prospere em uma carreira esportiva, seja por inabilidade, seja por um acidente fortuito que venha a ocorrer.

 

ESTRUTURAÇÃO

 

Fase 01 – CDE’s – faixa etária de 10 a 15 anos de idade

Os Centros de Desenvolvimento Esportivo, CDE’s, são os pontos de referência para as fase a, b e c do processo com o grupo constituído pela faixa etária de 10 a 15 anos.

Em uma primeira fase (2008 – 2010) serão 04 CDE’s em igual número de regiões do Estado do Rio de Janeiro – Norte, Serrana, dos Lagos e Sul -, cada um absorvendo 250 indivíduos em 02 turnos, sempre permitida e exigida a formação escolar regular.

O suporte profissional multidisciplinar especializado – psicologia, nutrição, fisiatria e fisiologia, medicina em geral, odontologia, assistência social familiar e outros requeridos – será objeto de convênios de cooperação técnica com centros universitários de atuação regional, permitindo não somente maior controle operacional, mas principalmente racionalização de custos.

Também objeto de convênios, com governos municipais, estaduais, federal ( aproveitando os diversos incentivos hoje já disponíveis e estabelecidos em lei) e empresas de atuação regional serão as áreas de gerência administrativa, manutenção predial e alimentação, permitindo eficiente gestão e redução de custos para o Fluminense e seus parceiros investidores.

Ressalte-se que os indivíduos que não venham a ser selecionados para a próxima fase – Centro Técnico de Xerém – ao completarem 16 anos, sairão dos CDE’s com formação básica de cidadania, tais como preservação ambiental, regularização de funcionalidade civil (identidade, título de eleitor, etc), conceitos e responsabilidade de participação comunitária, iniciação básica em um segundo idioma, conceitos de uso de informática, entre outros.

Há que ser ressaltado, face sua importância para o desenvolvimento técnico da habilidade e talento específicos de futebol, que a prática do futsal terá forte ênfase nos CDE’s.

As populações dos CDE’s participarão regularmente de estágios, clínicas e competições próprias para suas faixas etárias, permitindo uma avaliação permanente e mais profunda do potencial técnico – esportivo de cada indivíduo e, também, uma análise comparativa entre toda a população dos 04 CDE’s, através de base de dados integradas.

Reforçamos, por sua importância social, que durante tal período – de 10 a 15 anos de idade – o indivíduo receberá forte atenção quanto a seu desenvolvimento escolar regular, a formação básica em um segundo idioma (inglês / francês / espanhol) e uso geral de informática, paralelamente ao apoio ao desenvolvimento psíquico – orgânico, fundamental na puberdade e adolescência.

 

Fase 02 – Centro Técnico de Xerém – faixa etária dos 16 aos 20 anos

 

A população selecionada, será encaminhada ao CT Xerém, tendo-se uma expectativa de um ingresso de 100 a 150 indivíduos por ano – temporada. O estímulo a formação escolar regular continuará a receber atenção permanente, assim como, paralelamente, os aspectos psíquico – orgânicos descritos ao item anterior passam a receber conotação de consolidação.

Registre-se que nesta fase os futuros atletas já passam a participar de competições de maior visibilidade, a exemplo de campeonatos estaduais e nacionais da categoria juniores, assim como, aqueles mais destacados, de seleções nacionais sub 17 e sub 20.

A conseqüente visibilidade evidentemente se estende e alcança o indivíduo de forma mais contundente, seja pela mídia, seja por reconhecimento público. Isto também ocorre quanto ao Fluminense e a seus parceiros investidores, quando observados pela sociedade.

Neste momento cresce de relevância o apoio psicológico individual, pois tal carga de exposição gera pressões que demandam um amadurecimento precoce, que se não proporcionado e auxiliado, pode frustrar – e vários exemplos comprovam isto – uma potencial carreira de sucesso.

O CT Xerém será dotado de uma infra estrutura organizacional ( administrativa, técnica, tecnológica e equipes profissionais especializadas multidisciplinares) que permita constante observação e análise comparativa da população em geral, desde o ingresso do indivíduo nos CDE’s, ou seja, um histórico neste momento de 8 anos do indivíduo.

Tais práticas de gerência e controle são fundamentais para que a evolução do indivíduo dentro do fluxo global possa ser observada e analisada, não somente quanto às suas características per si, nem apenas quanto a evolução de sua performance e rendimento nas competições que participe, mas considerando tais dados comparativamente ao total da população.

O CT Xerém contará com infra estrutura que permita alojar, em caráter de residência permanente, até 100 indivíduos.

Os serviços técnicos especializados requeridos serão coordenados através de convênios com instituições universitárias regionais, assegurando perenidade e qualidade.

Já na fase final de formação do atleta ( 18 a 20 anos), que poderíamos classificar como consolidação, com direitos federativos registrados, será realizada sua inscrição no Sistema de “Draft”, permitindo planejamento de curto e médio prazos para sua alocação profissional, garantindo assim melhor direcionamento à sua carreira como atleta profissional e maior retorno do investimento até então realizado.

 

PROPOSTA DE SISTEMA DE DRAFT

 

Será administrado por uma comissão composta pelo Fluminense e por seus parceiros investidores, em proporções e gerência a serem definidas e estabelecidas em contratos específicos – o Comitê de Gerência.

 

A princípio configura-se três diferentes destinos de alocação para o atleta em formação:

 

  • elenco profissional do Fluminense Football Club;
  • empréstimo temporário à equipes profissionais de menor visibilidade no cenário esportivo, do Brasil e do Exterior;
  • cessão definitiva de seus Direitos Federativos, através de compensação financeira, a valores de mercado acordados pelo Comitê de Gerência.

 

Anualmente, cada parceiro poderá exercer direito de escolha sobre os atletas que ingressarem na fase profissional plena, adaptando-se e ajustando-se à nossa realidade – com regras a serem estabelecidas de comum acordo e reguladas por contratos entre o Fluminense e o pool de investidores – o sistema de draft hoje praticado pela NBA nos Estados Unidos.

O sistema de draft permite que o(s) beneficiado(s) para o exercício de prioridade sobre os direitos federativos, após exercê-lo, os repasse a terceiros. Não permite, entretanto, que seja repassado o direito de exercer a escolha.

O(s) beneficiado(s) anual, ao exercer a prioridade de escolha, poderá indicar o destino profissional do atleta escolhido entre as três alternativas indicadas acima, ressalvando-se que a alternativa de integrar-se ao elenco profissional do Fluminense é e sempre será prerrogativa da administração de futebol profissional do clube.

A composição participativa dos Direitos Federativos também poderá ser dividida em quotas, minimizando os riscos de escolhas equivocadas.

Exemplo, somente ilustrativo, de tal composição:

35% pertencente ao Fluminense Football Club

35% pertencente aos parceiros investidores

15% pertencente ao beneficiado pelo sistema de draft

10% ao Fundo de Re- investimento ao sistema CDE’s / Xerém

5% ao atleta (como incentivo pessoal à participação do sistema)

Os futuros Direitos Federativos de clube formador (regulados por legislação FIFA) serão sempre receitas do Fundo de Re- Investimento.

 

REQUERIMENTOS PRELIMINARES – CDE’s e CT Xerém

 

Para que o Projeto de Formação de Atletas Profissionais de Futebol alcance eficiência e eficácia, com as etapas e fase de desenvolvimento, implementação e gestão aqui enunciados e conceituados se transformando em projeto concreto e bem sucedido, são identificados alguns requerimentos fundamentais:

  • – projetos físico – financeiro detalhado de arquitetura e infra estrutura
  • – elaboração de plano de negócios com prazo a cinco anos;
  • – elaboração de contratos, convênios e outros acordos de sustentação identificados;
  • – identificação de potenciais parceiros – investidores
  • – financeiros
  • – operacionais
  • – entidade de apoio governamental
  • – potenciais aprovações necessárias e / ou apoios de FERJ, CBF, COMEMBOL e FIFA

REQUISITOS FINANCEIROS INICIAIS ESTIMADOS

– CDE’s

– projeto arquitetura funcional US$ 45. K

– projeto arquitetura física US$ 20. K

– CT Xerém

– projeto arquitetura funcional US$ 60. K

– projeto arquitetura física US$ 20. K

– Business Plan Financeiro ( 07 anos ) US$ 55. K

 

Potenciais apoios governamentais para operação identificados:

 

– Ministérios Saúde, Esportes, Educação e BNDES

– Lei 11.472 / 07 que modificou a Lei 11.438 / 06

 

 

 

 

 

 

 

A seguir C E L A S E

– Centro Latino Americano de Saúde Esportiva -Xerém

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