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O profissionalismo no futebol brasileiro – I

Paulo Mozart, Fundador da Tricolor de Coração
Paulo Mozart, Fundador da Tricolor de Coração

Caros Sempristas,

 

Extremamente honrado e feliz com o convite  para colaborar como colunista da Sempre Flu, tentarei abordar o tema acima, nesta e em outras colunas futuras.

 

Antecipo que não há pretensão alguma do autor em esgotar o assunto; não sofro da vaidade de imaginar que meu ponto de vista seja o mais correto ou mais completo e, desde já, agradeço críticas e contribuições, como por exemplo, sugestões de assuntos a serem tratados dentro deste tema geral.

 

Passando ao tema, vale situarmos a história do profissionalismo no ambiente de futebol.

 

O espaço dedicado ao futebol pela imprensa (apenas impressa e radiofônica, ao início) foi crescendo, a partir do meio da década de 20, dando nova feição ao futebol, que gradativamente foi saindo da categoria de esporte restrito aos diretamente envolvidos para se tornar esporte das massas.

 

Nasciam (ou eram fabricados) os ídolos; seus apelidos bombásticos ajudavam a criar e entusiasmar torcidas (atualmente temos Fenômeno e Imperador, como já tivemos Patada Atômica, Fio de Esperança, Galinho, Furacão e Dinamite, sucedendo a Camisa de Veludo, Diamante Negro, Divino Mestre e outros);  as chamadas às torcidas foram se tornando lugar comum a partir do momento em estas começavam a se consolidar, movimento que se manifestou como realidade dominante quando um importante jornal esportivo passou a  ceder mais da metade de seu espaço ao futebol: a Gazeta Esportiva de São Paulo.

 

As primeiras transações comerciais no ambiente de futebol envolviam, nesta época, apenas o passe de jogadores. Todo jogador, ao se profissionalizar, ou seja, ao assinar contrato como atleta profissional com um clube, passava a ter vínculo com este, o chamado “passe”.

 

Não se falava em comercialização de produtos ou serviços dentro dos clubes ou nos estádios.

 

Entretanto, as rádios já iniciavam a comercialização de espaço e patrocínio, nas transmissões de eventos e nos programas dedicados ao futebol ( vejam como era excitante: “Moço repare no belo tipo faceiro sentado a seu lado; pois acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o Rum Creosotado.”  Este era  o reclame – como eram chamados os anúncios nesta época – da Rádio Nacional e da Light, nos bondes do Rio de Janeiro).

 

O passe passou a ser registrado e controlado pelas associações e federações e, mais tarde, controlado diretamente pela FIFA, entidade que veio se consolidando gradativamente, pelo esforço de Jules Rimet, seu primeiro presidente, após o campeonato mundial de 1930, no Uruguai.

 

Esta situação se firmou e passou a reger o futebol brasileiro na década de 40 e consolidou-se  mundialmente a partir da de 50.

 

Registre-se a frase célebre: “Dêm-me o Queixada e eu lhes darei o título”.  Gentil Cardoso aos dirigentes do Fluminense se referindo ao passe de  Ademir Menezes, que nos daria o título de Supercampeão em 1946.

 

Próxima coluna:

– As três décadas decisivas: 1970 – 1990. A televisão.

 

Aos mestres da bola:

 O jogador, em seu campo de defesa, bate um lateral. A bola entra no gol de seu time, sem tocar em jogador nenhum. O que marca o juiz? Resposta na próxima coluna. Palpites para o e- mail do autor.

 

Paulo Mozart

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