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O Sonho

 

Luis Monteagudo
Presidente da Tricolor de Coração

TRICOLORES

 

 

Minha intenção era escrever sobre o Fluminense, seus problemas, suas eventuais soluções e divagar um pouco sobre lembranças e sonhos.

Afinal de contas, o Fluminense é indissociável da minha vida e sempre será um prazer falar, pensar, debater e escrever sobre o Fluminense.

Eu poderia falar sobre minha paixão herdada de meus pais, poderia contar estórias de minhas viagens acompanhando o time Brasil afora, falar sobre lágrimas de tristeza e de alegria ou ainda sobre fatos pitorescos como o de planejar minhas férias com a tabela do campeonato nas mãos.

Entretanto, decidi falar sobre um sonho, uma vontade. Aliás, decidi falar sobre muitos sonhos.

Toda vez que vou ao Maracanã e vejo uma criança pequena com a camisa do Flu e com os olhos hipnotizados voltados para o gramado ou para a arquibancada eu solto um sorriso maroto e seguro para que não caiam as lágrimas. Fico imaginando a imensa alegria de um dia ser pai e ali poder levar meu filho para ensinar o que um dia aprendi com meu pai, ou seja, para ensinar a ser um torcedor tricolor de corpo e alma. Alma esta gentil, doce e apaixonada, capaz de ao mesmo tempo dar demonstrações de força no grito de incentivo e também de se solidarizar e fazer respeitar como ser humano austero e fidalgo.

Torcer pelo Fluminense para mim é uma fonte de juventude, algo que me torna capaz de gritar além do que minhas cordas vocais suportam, algo que me faz abraçar um completo desconhecido na comemoração do gol como se meu melhor amigo fosse. E talvez seja, porque o tricolor tem um espírito de família e companheirismo muito forte. Nenhuma torcida é como a nossa. Nenhuma outra é tão bela nem tão fiel a seu modo peculiar. É certo que alguns fraquejam mais facilmente. Só para citar um exemplo, fui capaz de contestar e gritar contra tricolores que em 95 levantaram para ir embora quando aquele time da Gávea empatou o jogo já quase em seu final. Eu pedi que esperassem, que acreditassem porque o jogo ainda não tinha acabado. E veio a santa barrigada do Renato Gaúcho.

Alguns daqueles “desertores” voltaram e acabaram comemorando comigo aquele título.

Pois bem. As coisas mudaram e muitos problemas aconteceram e se acumularam desde o ano de 95. Vivemos nosso pior momento e embora eu permaneça sólido como uma rocha em minha convicção e em minha batalha ao lado do Fluminense, sinto que talvez já não surta tanto efeito um pedido que faça para que os demais esperem e que acreditem.

Os desmandos são tão grandes nos últimos anos que viramos motivo de chacota. Os tricolores têm se escondido cada vez mais atrás da conveniência do pay-per-view e receio que percamos nossa identidade e a continuidade de nosso crescimento como torcida caso não haja uma mudança drástica brevemente.

O meu pior pesadelo é ter que lutar para que meu filho venha a ser Fluminense como eu e como toda a família.

Por isso trabalhamos por um Fluminense que nos propicie voltar a sonhar e que nos possibilite agradar aos nossos filhos para que não pensem duas vezes na hora de decidirem para quem vão torcer.

O Fluminense tem que voltar a pensar grande e voltar a ganhar títulos. Participar dignamente não pode bastar a um clube da grandeza e com a história do Fluminense. Espero que possamos colocar a mão na consciência e que ajudemos a reconstruir um Flu forte porque é muito triste ter que ficar forçando a memória (eu tinha seis anos na época) para lembrar da sensação de conquistar um título brasileiro.

Outro dia (na última semana de novembro) me peguei fantasiando sobre o que sentiria se estivesse na pele de um outro tricolor (paulista) e chorei. Chorei pensando em poder comemorar com meu pai e com meu futuro filho muitos títulos do NOSSO TRICOLOR, o FLUMINENSE FOOTBALL CLUB.

Pois é. Temos um sonho e basta acreditar nele até o fim, trabalhando com competência e dedicação. Por favor, peço pela última vez, não deixem de acreditar.

Luis Monteagudo

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