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Pronunciamento no Conselho Deliberativo – 19/03/2013

Rio de Janeiro, 19 de Março de 2013

 

Venho a esta tribuna, após lapso considerável de ausência, para expressar opinião, pessoal e individual, mas também consensual do grupo de sócios identificado como Associação Tricolor de Coração.

 

Serei breve, pois o assunto não requer ou merece maiores discussões ou delongas.

 

Motivados fomos pelo encaminhamento de ofício, por um Conselheiro, à Presidência do Conselho Deliberativo, solicitando encaminhar ao Presidente do Clube questionamentos quanto ao desenvolvimento da gestão atual.

 

Tal correspondência é firmada por sócio benemérito do clube e, por conseqüência, membro deste Conselho Deliberativo, apoiada por outras assinaturas de também Conselheiros.

 

Alguns comentários nos cabe discorrer a respeito:

 

– preliminarmente quanto a forma –

 

Não se trata de carta enviada ao Presidente do Conselho Deliberativo, como pretende o signatário travesti-la.

 

Não se trata também, como pretendia caracterizar a sobre carta aposta à carta principal, de uma solicitação de encaminhamento ao Presidente do Clube.

 

Do momento em que é, simultaneamente, distribuída cópia a mais de duas centenas de pessoas, há que classificá-la como manifesto público.

 

O destinatário vem a ser sabedor do que lhe perguntam após tal questionamento estar público.

 

Como manifesto público que é, deve ser encarada como atividade política.

 

A atividade política pode ser contributiva ou não.

 

Esta NÃO O É.  É irresponsável e busca causar tumulto. Advertimos: Não causará.

 

– em segunda ótica de análise, quanto ao conteúdo –

 

53 itens.

 

Deles, 25 perguntas.

 

Destas, vinte e duas são absolutamente inócuas, pois perguntam “sabe o presidente” ou “pode o Presidente”? Ou seja, a ele, Presidente, bastaria responder “Sim, sei.” ”Não, não sei.” “Sim, posso”. “ Não, não posso”..

 

Às restantes, 03, são perguntas válidas e lógicas. Para suas respostas bastará analisar a prestação de contas de gestão, a ser apresentada na próxima semana. Lá estarão respondidas.

 

Os demais itens, 38, são, e como tal devem ser rotulados, de postura inaceitável.

 

Apesar de assinarem, os signatários se escondem atrás de “segundo se comenta nos bastidores do clube”, para poderem fazer afirmativas injuriosas, sem poderem ser responsabilizado.

 

Sem necessitar apresentar qualquer evidência do que dizem.

 

Juridicamente é desclassificada como informação de origem, por viciada e vil. No trato social geral é conhecida como covardia.

 

Asseguro que o Conselho Diretor e o próprio Presidente não teriam dificuldade, nem colocariam empecilhos, para responder ou explicar quaisquer dos assuntos levantados.

 

Que venha o signatário e seus companheiros de manifesto a público, apresentando a identificação do autor dos rumores ou, se coragem moral tiverem, que assumam como sendo os autores, apresentando evidências e provas do que afirmam.

 

Em resumo: 53 itens. 22 perguntas inócuas. 38 boatos, rumores ou afirmações sem fundamento. 03 perguntas com lógica e fundamento.

 

E finalmente, resta analisar quanto a intenção –

 

A leitura do documento não deixa dúvidas quanto à sua intenção final.

 

Claro está tratar-se de tentativa de iniciar a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de novembro.

 

Tentativa de pautar a atual gestão e conduzi-la a um debate eleitoral prematuro. De envolvê-la, desde já, na usual troca de acusações insidiosas que caracterizam determinados grupos oportunistas nestes momentos eleitorais.

 

Faz-se necessário dizer: Não.

 

A campanha eleitoral para Presidência do Fluminense não vai começar agora. Há muito trabalho a ser desenvolvido, o Fluminense necessita de total concentração daqueles que estão comandando-o, e não permitiremos que a atual gestão perca foco no trabalho que o Fluminense dela requer e exige.

 

Quanto mais não seja, por ser notório e de conhecimento público que o FLUMINENSE Football Club enfrenta gravíssima crise financeira e econômica.

 

Tal crise remanesce e se agrava seguidamente, não obstante a atual gestão haver implementado diversas ações gerenciais que permitiram o incremento de suas receitas nos últimos meses.

 

Crise esta que se vista com maior detalhamento, veremos que tem origem nas ações de gestão cometidas durante o período compreendido entre os anos de 2005 e 2010, lapso de tempo que o FLUMINENSE deixou de honrar seus compromissos financeiros, tributários correntes.

 

O não recolhimento de retenções efetivadas é classificado, em lei, como ilícito de apropriação indébita, ademais de se constituir em atitude criminosa, imoral e anti ética.

 

O desvio de fundos do caixa do clube é apropriação indébita e fraude a credores.

 

Registre-se que, além de sua capacidade devastadora sobre qualquer tentativa de equacionamento das dívidas correntes e do possível controle das finanças do clube, a conduta ilegal e imoral adotada aquele então – não recolher os tributos devidos e retidos – acarretou, hoje, a imediata execução fiscal dos valores devidos e penhora judicial de qualquer possível receita.

Este é exatamente o cenário de asfixia financeira que hoje vivencia o FLUMINENSE.

 

As conseqüências diretas desta visão e comportamento irresponsável – aquela que decidia sob a ótica de que “aquele que vem depois de mim que se vire” – se abatem hoje sobre o Fluminense.

 

Esta ótica negativa, nefasta e vil está representada por algumas assinaturas apostas neste documento. Assinaturas de sócios que, por gerirem os destinos do clube de forma nefasta e prejudicial, tiveram a aprovação das contas de sua gestão rejeitadas pelo plenário deste Conselho Deliberativo, rejeição esta deliberada por esmagadora maioria dos votantes, acima de 90%.

 

E, finalmente, por via de conseqüência do até aqui exposto, encareço ao senhor Presidente do Conselho Deliberativo que (e fazendo minhas as palavras escritas pelos signatários do documento) que estes últimos ofereçam “com brevidade, exatidão, correção ética e rigor” a identificação dos autores e divulgadores dos comentários classificados como “segundo se comenta  nos bastidores do clube”.

 

Alternativamente, caso os signatários deste documento não apresentem os autores ou assumam – consubstanciadamente com provas –  suas pseudo denúncias, exigimos que tenham seu comportamento analisado à luz do disposto ao artigo 121, incisos II,III e IV de nosso Estatuto.

 

A este documento foi dado o tempo de atenção que ele merece: 10 minutos. E já foi muito.

Aos signatários, que lhes seja dado o tratamento que denunciantes anônimos merece: a lei.

 

Aos Conselheiros presentes esclareço que o pronunciamento que acabo de fazer está aberto para aprovação verbal, através de manifestação individual – que solicito ao senhor Secretário da Mesa conduza e registre nominalmente em ata desta reunião – daqueles que com ele concordarem.

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