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Tricolor de Coração – Carta aos amigos que estiveram ao nosso lado em 2007

Caros amigos que estiveram ao nosso lado,

Em primeiro lugar, desculpas pela demora em fazer este agradecimento especial a vocês. Mas essa demora foi primordial para curar um pouco as feridas e para botar a vida em dia novamente. Agora, com um pouco mais de tempo, escrevo para transmitir o que sinto.

Podem ter a mais absoluta certeza de que fiquei imensamente satisfeito em tê-los por perto. Foi uma honra ser digno da confiança de vocês e um prazer enorme poder contar com a ajuda de todos.

Infelizmente, o tempo para conversarmos nos últimos dias foi muito curto, praticamente nenhum, diante da necessidade de darmos atenção a uma imensidão de coisas e detalhes que nos preocupavam até o dia da eleição.

Lamento mais ainda pelo resultado final do pleito que não apenas nos abateu, mas também nos privou de uma comemoração conjunta onde poderíamos ter tido melhor oportunidade para trocar idéias. Vida que segue … o sonho continua.

Sinto-me bastante lisonjeado com as palavras e com os elogios que recebi de alguns de vocês momentos após a confirmação da derrota. No entanto, gostaria de frisar que eu nada mais faço que me esforçar por um ideal, por um sonho.

E fico muito feliz de ter a oportunidade de conviver (mesmo que quase que apenas virtualmente ou por telefone com alguns) com pessoas tão maravilhosas quanto os participantes da Tricolor de Coração (e os amigos que confiaram em nós) e que desfrutam das mesmas idéias e ideais que eu.

Sempre costumo dizer que os laços de sangue apenas são importantes quando consolidados com uma amizade pura. Logo, meu conceito de família abrange precipuamente os meus amigos. Graças a Deus tenho pais maravilhosos e que são meus amigos também. Mas posso dizer sem nenhum exagero que a minha família aumentou bastante nesses 03 anos e meio que convivo e atuo na política tricolor ao lado de vocês. Amigos novos eu fiz e amigos antigos passei a amar mais ainda !

Permitam-me fazer um “pequeno” depoimento para vocês. Todos temos histórias de um jeito ou de outro parecidas. Portanto, gostaria de deixar este depoimento da minha para depois finalizar com um relato da eleição e com um agradecimento especial a todos vocês.

Eu saí da maternidade em que nasci no ano de 1978 com uma camisa do Fluminense que meu pai mandou confeccionar especialmente para a ocasião. Desde então, comecei a torcer e a torcer cada vez mais e mais pelo nosso Fluminense. O Fluminense é indissociável da minha vida e se alguém for instado a falar sobre mim, com toda certeza um pedacinho da fala vai mencionar o Fluminense.

Primeiro comecei com os jogos pequenos em Laranjeiras, depois passei ao Maracanã, aos clássicos e hoje posso dizer que já assisti a jogos do Fluminense em 07 ou 08 Estados do Brasil e que fiquei 11 anos sem perder um único jogo dentro do Estado do Rio de Janeiro. Comparecia a todos os estádios. Minha coleção de ingressos é enorme !

Mas isso não me faz mais tricolor que ninguém. Apenas me deixa mais perto, mais presente do ponto de vista físico do dia-a-dia esportivo do clube.

Várias vezes já me perguntei se terei a mesma disposição daqui a 30 ou 40 anos.

Aí paro e vejo pessoas como o meu pai (de 67 anos de idade) que não apenas vai a todos os jogos comigo como também se interessa e participa da vida social e política do clube. Vejo pessoas como o Sr. Luiz, como o Sr. Thomas, como o Sr. Arnaldo (avô do Alexey), como o Sr. Newton Conde que, se não vão a todos os jogos como eu, continuam com a chama do amor acesa e se interessam visceralmente pelo Fluminense e pelos seus destinos.

Isso me dá uma inspiração tremenda.

O “tesão” dessas pessoas que já passaram dos 60 anos de idade (ou até já passaram dos 80 como em alguns casos) me motiva e me emociona.

E é isso que eu quero para a minha vida. Quero o Fluminense para ocupar minhas horas vagas, para me deixar feliz, para me preocupar e para eventualmente me chatear porque a vida nem sempre é um mar de rosas.

Quero esse “tesão” que essas pessoas conservaram ao longo de décadas. E peço que vocês também o tenham cada vez mais e mais. E quero, inclusive, poder passar isso aos meus filhos, criá-los dentro do clube também.

Eu, felizmente, hoje posso me interessar e estar perto ao mesmo tempo e é isso que eu tento fazer perdurar.

Até meados de 2004 eu era apenas um torcedor. Um torcedor dos bons e que me interessava pela política do clube apenas pelo que via nos jornais. Ficava preocupado com os problemas, procurava conhecê-los bem, mas no fundo era apenas um torcedor.

Foi aí que através de dois amigos (Fernando Lucena e Rafael Barretto) fui levado a conhecer uma apresentação do Paulo Mozart por volta de maio de 2004 na casa do primeiro na Tijuca.

Fiquei encantado e vi que tinha obrigação de ajudar para que aquilo virasse realidade e fizesse com que o nosso Fluminense voltasse a ser verdadeiramente grande.

Infelizmente não dava mais tempo de entrar para sócio para ajudar com o meu voto, mas fiz questão de ajudar de outras formas.

Fui de “espião” aos eventos de todos os outros 03 candidatos da época e fiz questão de relatar detalhe por detalhe para facilitar a avaliação política do grupo.

Consegui persuadir alguns sócios a votarem na gente. Fui com dois deles de táxi (Dr Tavares e Dr. Armando Fabriani) no dia da votação e ainda fiquei esperando por outros dois que apareceram lá na hora do almoço.

Depois, senti a derrota, mas não como alguns companheiros mais antigos na luta. Eu estava envolvido de corpo e alma (como tudo que faço), mas ainda não estava envolvido com as pessoas.

Senti o golpe, mas nem tanto.

Continuei como torcedor fervoroso e passei a fazer parte do grupo com maior participação.

Tentei ajudar nas estratégias, nos jornais, fui assistir a várias reuniões do Conselho Deliberativo quando ainda nem era sócio.

Entrei para sócio e pulei de corpo e alma no projeto de fazer a Tricolor de Coração vencedora das eleições de 2007 para que o Fluminense pudesse voltar desde já a ser o que era até os anos 50, 60 e 70.

Começamos a planejar ações e busca de apoios.

Começou a campanha em 2007 e já angariávamos o apoio de pessoas importantes como Dr. Antelo e D. Marisa. Lutamos para manter os apoios de 2004 e para aumentar com novos sócios.

Atendendo basicamente a um pedido meu, 04 amigos entraram para sócio do Fluminense. Sou muito grato a eles.

Intensificamos a elaboração dos nossos jornais informativos.

Busquei assunto, matérias, inspiração para escrever textos.

A essa altura já tinha formado novos amigos e irmãos no sentido real da palavra.

Organizamos a “invasão” do baile de aniversário do clube.

Quando vimos que um investidor de campanha não iria aparecer, botamos a cabeça para funcionar loucamente …

Consegui o apoio do meu padrinho cedendo seu hotel para fazermos 04 pequenos eventos.

Corri atrás de preços de bebidas, de salgadinhos, de detalhes de organização e decoração. Meus pais ajudaram indo comprar um “caminhão” de cerveja quando viram uma mega promoção no Prezunic.

Fizemos um projeto e corremos atrás de apoio de beneméritos intimamente ligados à esgrima, esporte o qual queríamos que fosse reativado no Fluminense.

Fizemos mais jornais. Fizemos alteração, revisão etc e conseguimos uma gráfica para imprimir gratuitamente 05 mil planos de gestão.

Começamos a costurar possíveis acordos políticos.

Pensamos que não ia dar para disputarmos a eleição. Pensamos em desistir ou em nos aliarmos a outros grupos desde que fosse possível manter o respeito aos nossos credos.

Eu talvez tenha sido o mais ferrenho defensor da manutenção da nossa candidatura própria, mesmo sabendo lá no fundo que talvez fosse um suicídio.

Pensamos que seria melhor correr o risco de perder a eleição a termos a certeza de perder a nossa dignidade, o nosso caráter, os nossos princípios.

Batalhamos como leões para viabilizar a chapa, a candidatura e a própria campanha.

Demos dinheiro do bolso, demos tempo que tínhamos disponível e também o que não tínhamos. Fizemos maratonas de carro atrás de fichas …

Perdi as contas de quantas vezes saí do trabalho no meio do dia para atender a uma necessidade de campanha, a um pedido do Paulo Mozart ou para ir ao clube ver alguma questão operacional de campanha ou da formação da chapa.

Da minha vida pessoal eu só fazia o que era absolutamente emergencial. Perdi dinheiro, perdi horas de sono e ganhei alguns quilos e alguns fios de cabelo branco com tanto estresse.

Lutamos para convencer sócios. Lutamos para etiquetar e entregar cartas, convites, planos de gestão etc. Brigamos para manter o site no ar.

Tivemos um baque com uma deserção inesperada, mas não esmorecemos.

Enquanto isso o sonho ficava cada vez mais próximo … o dia 27 de novembro já estava logo ali.

Comecei a imaginar o momento da vitória. Comecei a sentir aquela emoção antecipadamente.

Imaginei que era possível e acreditei no comprometimento daqueles que convencemos e que disseram que iriam votar conosco.

Gastamos horas e horas a fio em telefonemas e mais telefonemas.

Enfim, fizemos o impossível com o dinheiro que tínhamos, ou melhor, com o dinheiro que não tínhamos.

Noites mal dormidas e … Chegou o dia da eleição.

Batalhamos. Perdemos.

Fiquei chocado com o reduzido número de votos a nosso favor (215).

Concluí que devemos ter sido traídos por muitos. Concluí que muitos devem ter cedido ao apelo estúpido do voto útil (voto útil para mim é aquele que respeita sua convicção sobre o que é melhor) ou devem ter mudado seu voto sucumbindo às mentiras e aos boatos da Turma do Peter Pan.

E concluí mais ainda que o eleitor em geral (embora o Fluminense seja composto por um quadro social de razoável nível intelectual) não está interessado em projetos reais, mas sim em vantagens pessoais que possa obter, em suas amizades etc.

Concluí que o eleitor gosta mesmo é de uma mega exposição de um candidato. Quer ver a cara dele no outdoor e no jornal todo dia.

Concluí que o eleitor é, via de regra, preguiçoso, desinteressado e não engajado.

Concluí que a política é mais podre do que eu já sabia que era e que para ganhar uma eleição temos que no mínimo “comprar a atenção” dos eleitores e fazer pequenos mimos (coquetéis, jantares etc).

A maioria das pessoas vota em quem garante a melhor boca livre, em quem dá uma camisa, um botton, um adesivo ou um boné.

Não estão nem aí para o resto.

Sendo assim, temos que planejar 2010 desde já. E temos que ser TODOS nós muito engajados.

Temos que buscar apoio e dinheiro desde meados de 2009 para termos uma campanha forte nos últimos 03 ou 04 meses porque no fundo é isso que conta e que decide voto.

E o mais importante que concluí é que não me arrependo de NADA porque nos mantivemos íntegros e com respeito aos nossos ideais.

Ademais, jamais poderia me arrepender de ter feito amigos tão leais. Amigos que choraram junto comigo a derrota.

Amigos estes que vão continuar a freqüentar o clube (não podemos nos ausentar de lá). Amigos para toda a vida e que estarão comigo quando a vitória finalmente vier.

Temos que traçar atuação a longo prazo. Reuniões bimestrais. Freqüência no clube. Aumento do rol de amigos e conhecidos dentro do clube etc.

Acertamos muito e erramos muito também.

Daqui para frente é a hora de só acertarmos.

Temos potencial para isso e … o mais importante … temos TESÃO para isso. Conto com a ajuda de todos vocês. Precisamos lutar por um clube social melhor e por um clube esportivo mais organizado e verdadeira e rotineiramente vencedor.

Basta seguirmos o exemplo de pessoas tão queridas e já com vários cabelos brancos que citei acima.

É difícil, mas temos que arrumar tempo para cuidarmos do nosso sonho. E o nosso sonho de um Flu melhor recomeçou dia 28 de novembro de 2007.

Conto com todos vocês.

Obrigado por tudo, obrigado pelas lições de vida, pelo companheirismo, pela confiança, pela dedicação etc. Desculpem qualquer coisa.

Enfim, acho que era isso. Posso ter esquecido alguma coisa, algum episódio, mas em linhas gerais era essa a mensagem que tinha para passar. Mais uma vez, obrigado.

Forte abraço do amigo, do irmão e do “filho”,

 

Luis Monteagudo.

 

 

Obs.: – Feliz Natal e um excelente 2008. Sorte, saúde e sucesso. E rumo a Yokohama ! Vamos torcer para dar certo (e ajudar no que for possível) para que a gente ganhe a Libertadores e o Mundial do Japão !!!

– Podem contar comigo hoje e sempre. Estarei disponível toda vez que vocês precisarem. Basta ligar.

– Aliás, liguem para a gente começar a se engajar cada vez mais na política do nosso Fluminense. Vou esperar e vou atiçar vocês.

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